Setor imobiliário catarinense sente impactos da crise econômica

Por Assessoria de Comunicação CRECI-SC

11 de Março de 2016

Depois de uma forte alta dos últimos anos o mercado imobiliário vem sofrendo com os impactos da desaceleração econômica. Queda no consumo das famílias, inflação muito superior ao teto da meta, alteração das regras de concessão de crédito e desemprego crescente são alguns dos motivos que contribuíram para a desaceleração  do mercado imobiliário.                   O CRECI-SC ouviu o presidente da Câmara Empresarial do Mercado Imobiliário, Corretor de Imóveis e Presidente Executivo do Grupo Brognoli – Negócios Imobiliários, Marcelo Brognoli, que há 60 anos atua no Mercado Imobiliário catarinense, para saber os impactos que a crise econômica trouxe ao estado.

 

 CRECI-SC: Temos a percepção de que a crise econômica atinge mais alguns setores do que outros. Qual é o real impacto da atual situação no mercado imobiliário?

Marcelo: Posso dizer que a atual situação impactou o mercado, porém em diferentes áreas.

Na área de vendas o impacto foi mais forte, pois com o aumento de juros e a escassez de dotação financeira para o financiamento, que é fundamental para a sobrevivência das vendas, as pessoas estão incertas na realização de negócios imobiliários. Outros fatores como o temor com desemprego, a paralisia do governo e o clima de pessimismo prejudicam a tomada de decisão do consumidor e alimentam a recessão, aumentando a crise e refletindo fortemente no nosso mercado.

Na locação comercial o quadro também é visível. Basta andar pelas ruas para se constatar a crescente oferta de imóveis comerciais como galpões, salas, escritórios e lojas que estão com placas de “aluga-se”. Isso reflete a preocupação dos empresários com o ambiente macroeconômico, que além de reprimir novos investimentos, desativa muitas empresas de vários segmentos.

A locação residencial é a que menos está sentindo os impactos, posso dizer que ela permanece estável e até recebeu um estímulo por conta da dificuldade de financiar a compra de um imóvel.

CRECI-SC: Durante todo o ano passado, a Caixa Econômica Federal, que é a maior financiadora de imóveis, restringiu o crédito para algumas faixas, o que acabou afetando principalmente a classe média. Essa restrição de crédito teve muito impacto nas vendas?

Marcelo: Sim com certeza teve importante impacto. Conforme citei anteriormente foram muitos os fatores que somaram para o aumento da recessão. Aqui na Brognoli, por exemplo, aproximadamente 70% das negociações de vendas eram feitas através do financiamento imobiliário e pode-se imaginar a influência que essas medidas tiveram no momento da decisão da compra.

CRECI-SC: O novo ministro da economia garantiu que o governo deve liberar mais crédito para o setor imobiliário e a Caixa acaba de anunciar a elevação do teto da porcentagem do valor a ser financiado, voltando ao patamar de 70% do imóvel. Estas medidas podem ser comemoradas pelo mercado, ou são apenas questões pontuais que não resolvem de maneira definitiva o problema?

Marcelo: Estas medidas podem e devem ser comemoradas, pois mostra uma primeira reação do governo e da caixa, liberando recursos para o mercado voltar a funcionar como antigamente. Acontece que em todo o país muitos contratos estavam represados, então esse dinheiro que está sendo liberado já está comprometido para resolver os contratos que estavam esperando pelo financiamento. Espero que haja novas liberações pra poder fazer a roda girar novamente.

 

CRECI-SC: Podemos dizer que, apesar das restrições à classe média, existem ainda dois públicos que ainda apresentam uma forte demanda: os beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida e os compradores de imóveis de luxo?

Marcelo: De fato existem esses dois públicos. Enquanto o programa Minha Casa Minha Vida reprimiu por causa das restrições do financiamento, o mercado de luxo como depende menos do financiamento e é um mercado mais estável, sentiu pouco os impactos. Porém, o mercado de luxo exige mais conhecimento por parte do corretor de imóveis, que tem que ter maior conhecimento em economia, investimento e assim poder oferecer uma consultoria ao comprador desse tipo de imóvel. O trabalho nessa área exige do corretor muito preparo e muita especialização, ou seja, tem que buscar atualização permanente.

CRECI-SC: Em épocas de baixa nas vendas, quais são as estratégias que os corretores podem ter para driblar a crise?

Marcelo: É trabalho. Muito trabalho. Aqui na Brognoli, por exemplo, temos uma regra: o corretor não pode ficar parado esperando o cliente cair em seu colo. Essa época em que bastava fazer um anúncio que chovia clientes já passou. Hoje o profissional precisa ir atrás. Atender 100 clientes para visitar 10 e desses tirar uma venda. O Corretor precisa entender que nesse momento vai se destacar os corretores que estiverem mais preparados e capacitados. Isso acontece em qualquer profissão. Ficam os melhores, os que trabalham mais sérios. Estar atentos às ferramentas, principalmente as redes sociais, é fundamental também.

CRECI-SC: O mercado de locações parece estar estável, afinal, as famílias precisam morar em algum lugar. Como está a situação deste mercado? Ele é rentável para corretores e imobiliárias?

Marcelo: É uma atividade importante para ramo, mas é diferente da venda, quando o corretor faz um negócio e é bem remunerado. Na locação você precisa ter volume de negócio, pois a remuneração é pequena por negócio, pois os valores são menores e as taxas de comissão também. A locação é também um trabalho que exige muita estrutura da empresa já que depende de um grande volume nos negócios. Aqui na nossa empresa temos duas equipes, a equipe de vendas e de locação, mas que trabalham em parceria. Prezamos sempre o bom atendimento e a satisfação do cliente. 

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