Santa Catarina vive um dos momentos mais expressivos de sua história no mercado imobiliário. O estado já é considerado o 2º maior mercado imobiliário do Brasil e apresenta um dos ritmos de crescimento mais acelerados do país. Em diferentes regiões, turismo, indústria, tecnologia, agronegócio, geração de empregos e qualidade de vida impulsionam a demanda por imóveis.
Os números ajudam a dimensionar essa força. Santa Catarina reúne cerca de 55 mil corretores de imóveis e mais de 8 mil imobiliárias. Além disso, 97,29% dos municípios catarinenses contam com corretores de imóveis, mostrando a capilaridade da profissão em praticamente todo o território estadual.
Santa Catarina lidera o mercado imobiliário da Região Sul
O desempenho do estado também aparece quando Santa Catarina é comparada aos demais mercados do Sul.
Entre março de 2024 e março de 2025, empreendimentos lançados em Santa Catarina movimentaram R$ 55,5 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante representou 65% de todo o VGV dos empreendimentos lançados na Região Sul no período.
O resultado colocou Santa Catarina à frente do Paraná e do Rio Grande do Sul somados, que registraram R$ 30,2 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pela força dos mercados de alto padrão no litoral e na capital.
O estado também respondeu por aproximadamente metade das unidades residenciais lançadas na Região Sul, reforçando sua posição de liderança regional.
Não por acaso, Santa Catarina concentra quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais valorizado do país, consolidando o estado como referência nacional, especialmente no mercado de alto padrão e luxo.
Um mercado, muitas vocações
Uma das características que melhor explica a força do mercado catarinense é a sua diversidade.
O estado possui regiões em que o imóvel é impulsionado pelo turismo e pela busca por segunda moradia; outras em que a indústria e a geração de empregos sustentam a demanda residencial; polos tecnológicos que atraem profissionais de todo o país; áreas em expansão urbana; e ainda mercados rurais com características próprias.
Essa diversidade faz com que o mercado imobiliário catarinense não dependa de uma única atividade econômica ou de um único perfil de comprador.
Litoral Norte: luxo, investimento, turismo e logística
O Litoral Norte concentra alguns dos mercados imobiliários mais valorizados do país e é um dos principais motores do mercado de luxo da Região Sul. Balneário Camboriú, Itapema e Porto Belo se destacam pelos empreendimentos de alto padrão, luxo e superluxo, combinando turismo, segunda moradia, lançamentos verticais e forte presença de investidores.
Em Balneário Camboriú, o mercado permanece aquecido ao longo de todo o ano e apresenta uma demanda diversificada. Além dos lançamentos, há forte procura por imóveis prontos, tanto por famílias que chegam à cidade quanto por moradores que buscam imóveis maiores e melhor estruturados.
Em Itapema e Porto Belo, ganham espaço empreendimentos voltados à segunda moradia e ao investimento, além de produtos com ampla estrutura de lazer. Apartamentos compactos, lofts e studios também aparecem entre as oportunidades procuradas por investidores interessados em locação e rentabilidade.
Em Itajaí, essa dinâmica se soma à força da logística, da atividade portuária, da aviação e da indústria náutica, que atraem empresas, trabalhadores qualificados e novos moradores. A região também registra forte procura por lofts e studios, especialmente entre investidores interessados em locação de curta duração.
O resultado é um mercado que reúne desde imóveis de alto padrão e frente-mar até produtos compactos voltados à geração de renda.
Grande Florianópolis: tecnologia, turismo e qualidade de vida
A Grande Florianópolis apresenta um dos mercados imobiliários mais diversificados do estado. Turismo, educação, indústria e, especialmente, tecnologia formam uma combinação que atrai moradores, profissionais, empresas e investidores.
Em Florianópolis, o crescimento do setor de tecnologia contribuiu para a chegada de novos talentos e para o desenvolvimento de produtos voltados a diferentes públicos. O mercado vai de kitnets e estúdios para locação a grandes empreendimentos, imóveis de alto luxo, condomínios de casas e estruturas voltadas aos segmentos industrial e logístico.
A presença de universidades também influencia a procura por imóveis compactos, enquanto o turismo e as praias sustentam a demanda por produtos de maior padrão.
No Sul da Ilha, por exemplo, os condomínios-clube vêm ganhando destaque, com unidades que vão de estúdios a apartamentos maiores, de três ou quatro dormitórios, combinados a uma ampla estrutura de lazer e serviços.
A combinação entre tecnologia, educação, indústria, turismo e qualidade de vida faz da região um mercado atrativo tanto para quem busca moradia quanto para quem procura oportunidades de investimento.
Vale do Itajaí e Alto Vale: indústria, emprego e expansão urbana
O mercado do Vale do Itajaí e do Alto Vale é impulsionado principalmente pela indústria, geração de empregos, diversificação econômica e chegada de novos moradores.
Blumenau combina força industrial, setor têxtil, tecnologia e turismo. Os lançamentos de alto padrão têm apresentado forte procura, enquanto os bairros oferecem produtos que vão de lofts e apartamentos de médio padrão a unidades enquadradas nas faixas 3 e 4 do Minha Casa, Minha Vida.
Em Indaial e Timbó, a expansão urbana favorece especialmente os loteamentos residenciais. A região tem atraído pessoas em busca de trabalho e qualidade de vida, impulsionadas pela oferta de empregos e por valores imobiliários mais acessíveis em comparação com os mercados de maior valorização do estado.
Já em Rio do Sul, a economia diversificada reúne agricultura, indústria alimentícia, metalmecânica e setor têxtil. O mercado combina lançamentos verticais e horizontais com forte presença de imóveis prontos.
Em toda a região, investidores e consumidores dividem o protagonismo da demanda.
Norte: indústria, logística e formação de patrimônio
No Norte catarinense, Joinville exerce papel central em uma região marcada pela força industrial, metalmecânica e logística.
O mercado reúne empreendimentos verticais, inclusive de alto padrão, além de loteamentos residenciais, comerciais e industriais. Em municípios como Araquari e Guaramirim, a expansão industrial impulsiona a procura por áreas e terrenos destinados a novos empreendimentos.
Em Itapoá e Garuva, a logística ganha importância com a atividade portuária. Itapoá também apresenta uma dinâmica ligada ao turismo e ao mercado de praia, com empreendimentos verticais convivendo com a demanda por terrenos industriais e logísticos.
Jaraguá do Sul apresenta um mercado mais consolidado, enquanto São Francisco do Sul e Barra do Sul possuem um mercado de praia ainda menor, mas com participação relevante na dinâmica regional.
Uma característica marcante do Norte é a presença de investidores que utilizam o imóvel como forma de formação de patrimônio. Não é incomum que um mesmo cliente mantenha vários imóveis em sua carteira, gerando uma dinâmica de recorrência nas negociações.
Sul: indústria, serviços, litoral e mercado rural
No Sul catarinense, a diversificação também é uma característica marcante.
Criciúma exerce papel de polo econômico e regional. A cidade, historicamente ligada ao carvão e à indústria cerâmica, diversificou sua economia e hoje reúne setores como metalmecânico, confecção, construção civil, logística e indústria madeireira.
A construção civil é um dos motores do mercado local, com apartamentos, casas, loteamentos residenciais e industriais e condomínios fechados. O mercado de imóveis prontos também é relevante, atendendo moradores, investidores, empresas e profissionais atraídos pela atividade econômica da região.
Em Tubarão, comércio, serviços, saúde e educação sustentam uma demanda constante por imóveis. Loteamentos planejados, condomínios residenciais, apartamentos e imóveis prontos estão entre os produtos procurados, enquanto a proximidade com o litoral amplia o interesse de moradores e investidores.
Na região Sul, também há presença de investidores que vivem ou trabalham no exterior e mantêm vínculos com Santa Catarina, além de compradores vindos de outros estados em busca de segurança e qualidade de vida.
Já em Araranguá e municípios do entorno, o mercado de imóveis rurais acrescenta outra dimensão à atividade imobiliária. Propriedades rurais são procuradas tanto para produção quanto para moradia e qualidade de vida.
Meio-Oeste: oportunidades e investimento
No Meio-Oeste, com Videira como um dos polos regionais, o mercado é marcado por compradores atentos às oportunidades e ao potencial de valorização.
O cenário de juros elevados tornou o consumidor mais seletivo, mas a expectativa de redução gradual dos juros pode favorecer uma retomada da procura por imóveis e, consequentemente, pressionar os preços diante da relação entre oferta e demanda.
Oeste: agronegócio e expansão urbana
No Oeste catarinense, o mercado imobiliário acompanha a força do agronegócio e da atividade econômica regional.
Chapecó, principal polo da região, apresenta expansão urbana, novos loteamentos e valorização dos imóveis, impulsionadas pela geração de empregos, pelo crescimento das empresas e pela atração de novos moradores e investidores.
A força econômica do agronegócio também movimenta a cadeia de serviços e negócios da região, criando demanda por imóveis residenciais e comerciais e ampliando as oportunidades para novos empreendimentos.
O mercado do Oeste apresenta, assim, uma dinâmica própria, em que produção, geração de renda, expansão urbana e crescimento populacional se transformam em demanda imobiliária.
Serra: turismo e novas possibilidades
Na Serra Catarinense, o turismo de inverno e a busca por contato com a natureza criam oportunidades para imóveis de lazer e segunda residência.
Urubici e São Joaquim, por exemplo, apresentam potencial para chácaras, condomínios de campo e loteamentos voltados ao turismo.
Um mercado forte exige profissionais preparados
A dimensão e a diversidade do mercado imobiliário catarinense também elevam o nível de exigência sobre os profissionais que atuam nele.
As entrevistas realizadas pelo projeto CRECI-SC em todo o Estado mostram um ponto em comum entre diferentes regiões: o cliente está cada vez mais informado. Antes de procurar um corretor, ele pesquisa imóveis, preços, empreendimentos e condições de negociação na internet e nas redes sociais.
Nesse cenário, o papel do corretor vai muito além de apresentar um imóvel. O profissional precisa conhecer profundamente o mercado, interpretar informações, compreender aspectos jurídicos e financeiros e oferecer segurança para a tomada de decisão.
Em mercados tão diferentes quanto o litoral de luxo, os polos industriais, os centros tecnológicos, as cidades do interior e as áreas rurais, conhecimento e qualificação tornam-se diferenciais fundamentais.
Um estado que atrai pessoas, empresas e investimentos
Santa Catarina tem um mercado imobiliário forte porque tem uma economia dinâmica, cidades em expansão e pessoas que continuam escolhendo o estado para viver, trabalhar e investir.
E, em cada uma dessas decisões, existe um profissional que conecta pessoas a oportunidades, conhece as características de cada mercado e ajuda a transformar negócios em patrimônio.
Neste Mês do Corretor de Imóveis, os números mostram a força do mercado catarinense. E ajudam a revelar também a dimensão do trabalho de quem faz os negócios acontecerem todos os dias.