A Geração Z, formada por jovens entre 21 e 28 anos, passou a liderar a intenção de compra de imóveis no Brasil, superando inclusive a Geração Y, composta por adultos entre 30 e 46 anos. É o que aponta levantamento da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a ABRAINC - Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, que revela uma mudança importante no perfil do consumidor imobiliário em 2026.
De acordo com o estudo, 56% dos entrevistados da Geração Z afirmaram ter intenção de adquirir um imóvel, frente a 54% da Geração Y. O dado reforça que o desejo pela casa própria segue forte, inclusive entre os mais jovens.
Além disso, a intenção de compra de imóveis no país atingiu 50% no último trimestre de 2025, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2019. O avanço de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior indica um ambiente mais favorável ao setor.
Ambiente econômico favorece decisão de compra
A combinação entre mercado de trabalho aquecido, inflação mais controlada e expectativa de queda nas taxas de juros para financiamento cria condições mais propícias para a decisão de compra.
Para muitos jovens, o imóvel representa não apenas moradia, mas também segurança patrimonial e planejamento de longo prazo. Em um contexto de maior acesso à informação e educação financeira, o investimento imobiliário volta a ser visto como estratégia sólida de construção de patrimônio.
Para os corretores de imóveis, esse movimento representa uma oportunidade estratégica de ampliar a atuação junto a um público mais conectado, informado e digital.
O novo perfil do imóvel desejado
A liderança da Geração Z na intenção de compra também exige adaptação por parte do mercado. O foco deixa de estar exclusivamente na metragem e passa a considerar funcionalidade, localização estratégica e integração com serviços.
Com famílias menores e maior valorização da mobilidade urbana, cresce a busca por imóveis compactos e bem localizados. Nesse cenário, ganham espaço os chamados empreendimentos “compact premium”: unidades com metragem reduzida, mas acabamento de padrão elevado e áreas comuns inteligentes.
A proximidade de centros comerciais, transporte público e polos de trabalho torna-se um diferencial competitivo relevante, especialmente para jovens que priorizam a praticidade no dia a dia.
Outra tendência é a valorização de projetos de uso misto, empreendimentos que reúnem moradia, trabalho e serviços em um mesmo complexo. O modelo atende à lógica de otimização de tempo e conveniência, além de dialogar com valores como sustentabilidade, mobilidade reduzida e integração entre vida pessoal e profissional.
Mercado mais digital e orientado à experiência
O avanço da intenção de compra entre brasileiros com renda familiar superior a R$ 2.500 reforça que o setor imobiliário segue como um dos principais motores da economia.
Com os mais jovens assumindo protagonismo, o mercado tende a se tornar ainda mais digital, funcional e orientado à experiência do usuário, sem abrir mão da solidez e da segurança que o imóvel próprio representa.
Para os corretores de imóveis, compreender esse novo perfil é essencial para oferecer atendimento consultivo, personalizado e alinhado às expectativas da nova geração de compradores, contribuindo para negociações mais seguras e transparentes para toda a sociedade.