A inadimplência no mercado de locações imobiliárias registrou, em junho, a maior taxa dos últimos 12 meses no Brasil: 3,59%, de acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia, divulgado pela Superlógica. Este é o terceiro mês consecutivo de alta, com um crescimento de 0,26 ponto percentual em relação ao mês anterior (3,33%). Em comparação com o mesmo período de 2024, o avanço é de 0,06 ponto percentual.
Os dados reforçam o que já vinha sendo sinalizado por especialistas: o orçamento das famílias continua pressionado, e as projeções de aumento da inflação e das taxas de juros podem agravar ainda mais esse cenário nos próximos meses. O impacto disso para o mercado imobiliário é direto, e exige atenção redobrada dos corretores de imóveis.
Panorama por região
A região Sul, onde está localizado o mercado catarinense, segue com a menor taxa de inadimplência do país (3,17%), apesar de uma leve elevação em comparação aos meses anteriores. Já o Nordeste lidera o ranking nacional, com taxa de 4,80%, seguido pelo Norte (4,09%), Centro-Oeste (3,78%) e Sudeste (3,38%).
Faixas de aluguel mais afetadas
Os imóveis residenciais com aluguel acima de R$ 13.000 registraram taxa de 6,54% de inadimplência, demonstrando que nem mesmo o segmento de alto padrão está imune à instabilidade. Já entre os imóveis residenciais com aluguel de até R$ 1.000, a taxa chegou a 5,79%, a maior já registrada nessa faixa desde o início da medição, em outubro de 2023.
Nos imóveis comerciais, o destaque negativo ficou para a faixa de até R$ 1.000, com 7,48% de inadimplência, também a maior da série histórica. A menor taxa foi observada na faixa entre R$ 2.000 e R$ 3.000, com 4,17%.
Esses dados chamam a atenção para dois extremos do mercado: imóveis de alto padrão, onde muitas vezes há menos exigências de garantias, e unidades comerciais de menor valor, mais expostas à instabilidade econômica e às dificuldades enfrentadas por pequenos negócios.
Tipos de imóvel e comportamento da inadimplência
A inadimplência também cresceu em todos os tipos de imóvel:
Orientação para os corretores de imóveis
Para os profissionais da intermediação imobiliária, os dados reforçam a importância de atuar com planejamento, orientação e transparência. A análise de crédito, a escolha de garantias adequadas e a mediação de acordos são ferramentas fundamentais para proteger todas as partes envolvidas em uma locação.
O CRECI-SC reforça a necessidade de atualização constante por parte dos corretores de imóveis, especialmente diante de um cenário econômico desafiador. Entender as tendências de inadimplência por região, faixa de valor e tipo de imóvel pode ajudar na elaboração de estratégias mais eficazes, garantindo segurança para proprietários, tranquilidade para inquilinos e valorização da atividade profissional.