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Momento Jurídico CRECI-SC | O corretor do futuro: entre a segurança jurídica e a reconstrução da confiança no mercado imobiliário

7 de Agosto de 2025

1. O setor mudou. A postura profissional precisa mudar também

O mercado imobiliário brasileiro está em transformação. Nunca se falou tanto em tecnologia, inovação e novas formas de negócio. Mas, na prática, os riscos jurídicos aumentaram — especialmente para quem atua na ponta da relação com o consumidor: o corretor de imóveis.

Nesse novo cenário, não basta ser um bom vendedor ou conhecer o imóvel. É preciso entender os riscos legais, agir com ética e construir confiança.

E essa é a tese que venho defendendo: o corretor do futuro será um gestor de confiança e integridade jurídica, não apenas um intermediador.

2. O corretor como agente de confiança

Imagine um profissional que:

  • Verifica todos os documentos do imóvel antes de anunciar.
  • Sabe alertar o cliente sobre riscos jurídicos ou tributários.
  • Atua com transparência, mesmo que isso signifique perder uma comissão.
  • Mantém registro das comunicações, visitas e propostas para se proteger.
  • Consulta um advogado ou o próprio CRECI antes de seguir em negociações duvidosas.

Esse é o corretor do futuro — e ele já começa a se destacar no presente.

Ele entende que vender com segurança é melhor do que vender rápido.

3. Por que isso importa? 

Nos últimos anos, acompanhamos diversos casos em que corretores foram responsabilizados por:

  • Anunciar imóveis sem matrícula atualizada, levando compradores a prejuízos.
  • Deixar de informar que o imóvel não tinha incorporação registrada, o que pode configurar propaganda enganosa.
  • Participar de negociações com procurações falsas ou contratos frágeis.
  • Receber comissão de forma não comprovada, ficando sem respaldo jurídico.

Em todos esses casos, faltou o que chamo de diligência profissional mínima — um conjunto de cuidados que protege tanto o corretor quanto seu cliente.

4. Pra onde ir? 

Como Procurador Jurídico do CRECI-SC, vejo de perto a dificuldade de muitos profissionais: faltam orientações claras, ferramentas práticas e capacitação contínua.

E o cliente de hoje está mais informado. Ele exige profissionalismo, clareza e segurança. Corretor de imóveis que não acompanha essa evolução corre o risco de ser substituído por plataformas ou desacreditado.

5. Conclusão 

Minha proposta é simples: que o corretor de imóveis seja visto, respeitado e formado como um verdadeiro agente de confiança no mercado imobiliário.

É por isso que tenho trabalhado na criação de materiais, pareceres, cursos e orientações que visam fortalecer essa nova postura.

E convido todos os profissionais — corretores de imóveis, advogados, gestores públicos e entidades — a se unirem nessa missão: valorizar a profissão, proteger o consumidor e dar segurança ao mercado.

Por Flaviano Vetter Tauscheck – Procurador Jurídico do CRECI/SC

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