O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um novo modelo para o uso dos recursos da poupança e de outros instrumentos financeiros — como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs). A medida, que entra em vigor de forma gradual a partir de 2025 e terá plena vigência em 2027, promete ampliar a oferta de crédito, reduzir juros e fortalecer o setor imobiliário brasileiro.
Mais crédito, mais oportunidades
As novas regras visam tornar mais eficiente a aplicação dos recursos captados por meio da poupança, possibilitando que as instituições financeiras tenham maior flexibilidade para financiar imóveis. O resultado esperado é um aumento significativo na concessão de crédito imobiliário, beneficiando especialmente as famílias de renda média e baixa.
De acordo com o Banco Central, o novo modelo deve liberar R$ 111 bilhões em recursos no primeiro ano, sendo R$ 52,4 bilhões a mais do que o volume atual destinado ao financiamento habitacional — dos quais R$ 36,9 bilhões estarão disponíveis de forma imediata.
Além disso, a expectativa é que os bancos possam oferecer condições mais atrativas e taxas de juros reduzidas, o que tende a estimular o fechamento de novos negócios e fortalecer a atuação dos corretores de imóveis em todo o país.
Transição começa em 2025
A transição para o novo modelo será gradual e começará ainda em 2025. Hoje, 65% dos recursos da poupança precisam ser obrigatoriamente destinados ao crédito habitacional, 20% são retidos pelo Banco Central como depósito compulsório e 15% permanecem livres para outras operações bancárias.
Durante o período de transição, os depósitos compulsórios serão reduzidos de 20% para 15%, e 5% dos recursos começarão a ser aplicados nas novas regras do modelo.
A partir de janeiro de 2027, quando o novo sistema estiver em plena vigência, deixará de existir a obrigatoriedade de destinar 65% da poupança ao crédito habitacional, e os depósitos compulsórios serão extintos. Isso significa que 100% do dinheiro aplicado na poupança poderá ser direcionado ao crédito imobiliário, ampliando de forma expressiva a capacidade dos bancos de conceder financiamentos.
Caixa volta a financiar até 80% do valor do imóvel
Em alinhamento com o novo modelo de direcionamento da poupança, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, anunciou que o banco voltará a financiar até 80% do valor dos imóveis por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Desde novembro de 2024, o limite estava restrito a 70%.
O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou que as medidas anunciadas permitirão à Caixa financiar 80 mil novos imóveis com juros de até 12% ao ano, abaixo da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano.
Teto maior e uso do FGTS ampliam o público atendido
Outra novidade é o aumento do valor máximo do imóvel financiado, que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
Além disso, os compradores poderão utilizar o FGTS nas operações dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) — o que antes não era possível para imóveis acima de R$ 1,5 milhão. O saldo do fundo poderá ser usado para:
Novo modelo amplia oportunidades para os corretores
O novo modelo de crédito imobiliário tem como público-alvo famílias com renda acima de R$ 12 mil, faixa que vinha enfrentando dificuldades para obter financiamento. Já as famílias com renda até esse valor continuam sendo atendidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
Com as mudanças, a expectativa é de maior movimentação no setor, impulsionando as vendas, lançamentos e parcerias entre incorporadoras e corretores de imóveis. O mercado deve se beneficiar não apenas do aumento do crédito disponível, mas também da retomada da confiança dos consumidores e da valorização da intermediação imobiliária profissional.
Um novo ciclo de crescimento para o mercado imobiliário
As medidas representam um novo ciclo de crescimento para o setor, com efeitos diretos sobre o trabalho dos corretores de imóveis, que terão mais oportunidades de negócios e maior diversidade de perfis de clientes.
Ao ampliar o acesso ao crédito, reduzir barreiras e estimular o financiamento habitacional, o governo e a Caixa reforçam a importância do mercado imobiliário como motor da economia nacional — e destacam o papel essencial dos profissionais credenciados pelo CRECI-SC na construção de um ambiente de negócios mais seguro, dinâmico e sustentável.